O celular está presente em quase tudo o que fazemos. Ele trabalha com a gente, informa, diverte, registra momentos e nos conecta com pessoas. Mas, algumas vezes, enquanto estamos conectados com tanta coisa, podemos deixar de perceber quem está bem ao nosso lado.
Chegou o Tempo é um convite simples: por alguns minutos, guarde o celular e esteja inteiro com uma criança.
Não precisa ser necessariamente seu filho. Pode ser seu neto, sobrinho, afilhado ou qualquer criança com quem você tenha a oportunidade de construir boas memórias.
Não é preciso comprar nada.
Não é preciso organizar um grande passeio.
Não é preciso criar o momento perfeito.
É preciso estar presente.
Escolha uma das atividades abaixo e comece.
Para uma criança, pode ser surpreendente descobrir que o adulto que está diante dela também já foi criança.
Você também brincou, caiu, aprontou, teve amigos, sentiu medo, foi para a escola, sonhou e viveu aventuras.
Quando compartilhamos essas histórias, deixamos de apenas contar acontecimentos e começamos a construir pontes entre gerações.
Escolha um lugar tranquilo e sente-se perto da criança. Guarde o celular e conte uma lembrança verdadeira da sua infância.
Pode ser sobre:
uma brincadeira de que você gostava;
uma travessura;
seu primeiro dia de aula;
um amigo inesquecível;
uma viagem;
algo engraçado que aconteceu;
um medo que você tinha;
alguma coisa que aprendeu com seus pais ou avós.
Não transforme o momento em palestra. Conte e converse.
Depois, permita que a criança faça perguntas.
“Qual história da sua infância você acha que vai lembrar quando crescer?”
Escute a resposta sem pressa.
A atividade trabalha comunicação, escuta, memória, empatia, identidade e pertencimento.
A criança começa a perceber que também faz parte de uma história maior.
Se você tiver fotografias antigas, escolha algumas e mostre à criança.
Conte quem são aquelas pessoas, onde vocês estavam e o que estava acontecendo.
Uma fotografia antiga pode abrir uma conversa completamente nova.
Conte hoje uma história sobre você que essa criança ainda não conhece.
CHEGOU O TEMPO
Celular de lado. Presença de verdade.
Não estamos propondo uma aula de culinária.
A receita pode ser extremamente simples.
Pipoca. Sanduíche. Suco. Brigadeiro. Salada de frutas. Bolo. Uma vitamina.
O ingrediente principal é fazer juntos.
Primeiro, decidam juntos o que irão preparar.
Depois, distribua pequenas responsabilidades adequadas à idade da criança.
Ela pode ajudar a separar ingredientes, misturar, contar quantidades, organizar utensílios, decorar ou servir.
O adulto acompanha e cuida das tarefas que envolvam fogo, objetos cortantes ou outros riscos.
Mas não tenha tanta preocupação com o resultado a ponto de perder o momento.
Pode derramar.
Pode ficar torto.
Pode não ficar igual à fotografia da receita.
Tudo bem.
Pergunte:
“Qual é sua comida favorita?”
“Se você pudesse inventar uma comida, como ela seria?”
“Tem alguma comida que lembra alguém especial?”
“Para quem você gostaria de cozinhar alguma coisa?”
Além do vínculo afetivo, atividades culinárias simples podem estimular autonomia, coordenação, organização, responsabilidade, criatividade e noções de quantidade.
Mas existe algo ainda mais importante acontecendo:
vocês estão construindo uma lembrança juntos.
Escolham uma receita simples e façam juntos do começo ao fim.
E lembre:
a memória vale mais do que a perfeição da receita.
CHEGOU O TEMPO
Celular de lado. Presença de verdade.
Uma folha pode virar um mapa.
Uma caixa pode virar uma nave.
Uma cadeira e um lençol podem virar um castelo.
Quando uma criança imagina, objetos comuns ganham novos significados.
Nesta atividade, o adulto não está ali apenas para entregar os materiais.
Ele também vai criar.
Desenhem juntos.
Inventem um personagem.
Construam uma cidade com caixas.
Façam um brinquedo utilizando materiais disponíveis.
Criem uma história em quadrinhos.
Inventem um planeta.
Construam uma cabana.
Criem um animal que ainda não existe.
Não precisa ficar perfeito.
Evite corrigir constantemente a criação da criança.
Se ela desenhar uma árvore azul, deixe a árvore ser azul.
Se uma casa tiver asas, pergunte:
“Para onde essa casa consegue voar?”
Entre na imaginação em vez de tentar trazê-la imediatamente para a realidade.
“Qual é o nome desse personagem?”
“Onde ele mora?”
“Que poder ele tem?”
“Do que ele tem medo?”
“Quem é o melhor amigo dele?”
“O que vai acontecer depois?”
Uma simples pergunta pode abrir uma história inteira.
Criatividade, linguagem, expressão, resolução de problemas, imaginação e confiança.
Inventem hoje alguma coisa que não existia antes de vocês começarem.
Depois, se possível, guardem a criação.
Daqui a alguns anos, talvez aquele desenho aparentemente simples tenha um valor enorme.
CHEGOU O TEMPO
Celular de lado. Presença de verdade.
Existe uma diferença entre estar perto de uma criança enquanto ela brinca e brincar com ela.
Nesta atividade, o convite é entrar no universo da criança.
Pergunte simplesmente:
“Do que você quer brincar comigo hoje?”
E deixe que ela escolha.
Pode ser pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, bola, carrinho, boneca, dança, jogo, faz de conta ou uma brincadeira que ela acabou de inventar.
Separe pelo menos 20 minutos.
Guarde o celular.
E participe.
Não fique apenas observando.
Corra.
Sente no chão.
Entre na história.
Aceite as regras malucas.
E, quando necessário, inventem novas regras juntos.
Quando um adulto entra genuinamente em uma brincadeira, comunica algo sem precisar dizer:
“Aquilo que é importante para você também pode ser importante para mim.”
A brincadeira compartilhada favorece vínculo, comunicação, criatividade, movimento e confiança.
E ainda produz algo impossível de comprar:
memória afetiva.
Hoje, a criança escolhe a brincadeira.
Você entra nela.
Sem celular. Sem distração. Só presença e diversão.
CHEGOU O TEMPO
Celular de lado. Presença de verdade.
Uma noite inesquecível não precisa acontecer em um lugar caro.
Às vezes, ela acontece no chão da sala.
Escolha uma noite, guarde os celulares e transforme um espaço comum da casa em um pequeno acontecimento.
Preparem um lanche.
Montem uma cabana com cobertores.
Contem histórias.
Joguem alguma coisa.
Ouçam música.
Leiam juntos.
Façam perguntas engraçadas.
Conversem sobre o dia.
Assistir a um filme também pode fazer parte — a ideia não é declarar guerra às telas, mas evitar que cada pessoa esteja isolada em sua própria tela.
Se escolherem um filme, escolham juntos e assistam juntos.
No final da noite, cada pessoa responde:
“Qual foi a melhor parte do nosso tempo juntos hoje?”
Depois vocês podem terminar com um abraço, um agradecimento ou uma oração, conforme o costume da família.
Segurança emocional, vínculo, pertencimento, diálogo e memória afetiva.
Quando momentos como esse se repetem, podem se transformar em tradições.
E tradições ajudam a contar a história de uma família.
Criem hoje uma noite diferente sem precisar sair de casa.
Pequenos momentos podem se tornar grandes lembranças.
CHEGOU O TEMPO
Celular de lado. Presença de verdade.
Não tente fazer as cinco atividades hoje.
Escolha uma.
Guarde o celular por alguns minutos.
Convide uma criança.
E esteja presente.
Talvez daqui a alguns anos ela não se lembre do que ganhou, do vídeo que assistiu ou do que apareceu naquela rede social.
Mas poderá se lembrar daquela história que você contou.
Da pipoca que vocês fizeram.
Do desenho estranho que inventaram.
Da brincadeira no quintal.
Da cabana no meio da sala.
Porque tempo de qualidade não é necessariamente ter muito tempo.
É fazer o tempo que temos realmente contar.
Celular de lado.
Presença de verdade.
Memórias para a vida inteira.
🎵 Ouça “Chegou o Tempo”, de Tio Luciano, e compartilhe esse desafio com alguém que também precisa transformar alguns minutos de tela em minutos de presença.