Um sonho que começou dez anos antes
A gravação de 2019 carregava uma história que havia começado muito antes.
Em 2009, exatamente dez anos antes, Luciano Collares e o Conexão Alegria realizaram uma grande apresentação no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, com o propósito de registrar em DVD aquilo que já acontecia havia anos nas celebrações infantis.
Naquela ocasião, o teatro ficou lotado. Mais de 100 voluntários participaram da realização do projeto, numa grande mobilização de músicos, equipe técnica, colaboradores e pessoas que acreditavam naquele trabalho.
O espetáculo aconteceu. As crianças cantaram. O teatro celebrou. As imagens foram registradas.
Mas um grave problema técnico provocou uma perda irreparável: o áudio da gravação foi perdido.
Aquilo significava que, embora a noite tivesse acontecido diante de um teatro cheio e permanecesse viva na memória de quem participou, o sonho de transformar aquela experiência em um registro audiovisual não pôde ser concretizado como havia sido imaginado.
E havia uma razão para não simplesmente substituir aquela gravação por sessões realizadas dentro de um estúdio.
Desde o princípio, o desejo não era apenas gravar músicas infantis.
Era registrar aquilo que acontecia quando essas músicas encontravam as crianças.
Grande parte daquele repertório nasceu e ganhou significado dentro da Celebração Infantil, onde começou a história desse trabalho. Eram músicas cantadas junto com as crianças, acompanhadas de movimentos, respostas, brincadeiras, participação e da espontaneidade própria de uma celebração infantil.
Por isso, gravá-las isoladamente em um estúdio não traduziria completamente aquilo que elas representavam.
Era preciso ouvir as crianças.
Era preciso registrar suas vozes, suas respostas e sua participação.
Era preciso preservar a sensação de que a música estava acontecendo com elas, e não simplesmente sendo apresentada para elas.
O sonho do DVD, portanto, nunca foi apenas produzir um registro tecnicamente perfeito. Era conseguir colocar em imagem e som aquela experiência coletiva que já existia havia anos.
“Não queríamos apenas gravar as músicas. Queríamos registrar o que acontecia quando essas músicas encontravam as crianças.”
Então chegou 28 de setembro de 2019.
Dez anos depois daquela primeira tentativa no Theatro José de Alencar, o sonho foi retomado.
Dessa vez, na Comunidade da Fé Cristã — Zona Sul, em Fortaleza, Luciano Collares, Conexão Alegria, músicos, crianças, personagens, técnicos e voluntários se reuniram novamente diante de um público para fazer aquilo que havia sido desejado desde 2009:
gravar de verdade, ao vivo.
E havia algo simbólico nisso. Depois de uma experiência tão marcante ter sido perdida tecnicamente uma década antes, o projeto não voltou procurando eliminar o risco do palco por meio de uma gravação controlada em estúdio. Voltou justamente para o palco.
Uma gravação realmente ao vivo
Há uma característica importante nessa história: o espetáculo foi registrado integralmente, sem interrupções.
Não se tratou de montar posteriormente uma apresentação a partir de diversas tentativas isoladas. O que aconteceu diante do público naquela noite foi captado como espetáculo: música, músicos, personagens, crianças, dança, interação e tudo aquilo que fazia parte da experiência do Conexão Alegria.
O espetáculo não foi interrompido para transformar aquele momento em uma sucessão de tomadas. O objetivo continuava sendo preservar a experiência real.
Essa característica ajuda a explicar a energia do registro. O álbum preserva um acontecimento, e não apenas uma execução musical em estúdio.
Foram registradas 14 músicas, formando o repertório do projeto ao vivo, entre elas:
“Brincar É Bom”, “Deus Me Criou”, “Dois Caminhos”, “Todos Têm Família”, “Mexa-se”, “Os Patinhos”, “Tal de Poc Poc”, “Quem Está Feliz”, “Tocar em Ti”, “Transformação”, “Geração de Pequenos”, “Olha para Mim” e “Som Perfeito”.
Nota: nesta relação estão identificados 13 títulos. O repertório completo possui 14 músicas; o título restante será acrescentado posteriormente.
Dentro dessa história, “Tocar em Ti” ocupa um lugar especial.
A canção já fazia parte da memória das celebrações infantis e tornou-se uma das músicas mais marcantes cantadas por Luciano junto às crianças. Ela está ligada justamente ao ambiente em que todo esse trabalho começou: a Celebração Infantil.
Por isso, o título acaba representando algo maior do que uma faixa do repertório.
Tocar em Ti carrega a memória de uma caminhada construída diretamente com as crianças — cantando diante delas, ouvindo-as cantar de volta, celebrando, brincando e criando vínculos através da música.
Quando o projeto finalmente conseguiu ser registrado ao vivo em 2019, dez anos depois da tentativa de 2009, não estava sendo gravado apenas um novo espetáculo.
Estava sendo preservada uma história.
Um projeto construído por muitas mãos
Talvez uma das partes mais importantes dessa história esteja justamente fora do palco.
A realização daquela gravação contou com uma grande rede de voluntários. Profissionais de câmera, músicos, dançarinos, equipe de captação de áudio, técnicos, pessoas responsáveis pelos personagens e colaboradores de diferentes áreas se dispuseram a servir para tornar o projeto possível.
Por trás de cada imagem registrada havia alguém trabalhando. Por trás de cada música havia músicos, técnicos e pessoas cuidando para que o espetáculo continuasse acontecendo. Por trás dos personagens havia pessoas dando vida àquele universo diante das crianças.
Por isso, contar a história de Tocar em Ti — Ao Vivo é também contar a história de uma comunidade de pessoas que acreditou no projeto.
Um reconhecimento especial pertence ao Ministério Conexão Alegria, que participou diretamente da construção daquela noite, e a Sandra Collares, esposa de Luciano, cuja parceria e participação fizeram parte de todo esse processo.
Uma igreja que abriu as portas para o sonho
A Comunidade da Fé Cristã — Zona Sul teve participação fundamental para que a gravação de 2019 se tornasse possível.
Mesmo Luciano Collares e sua equipe não sendo membros daquela comunidade, o pastor e a igreja acolheram o projeto, cedendo o espaço, a estrutura e também o apoio de sua equipe técnica.
Todos se dispuseram a colaborar para a realização daquele grande evento.
O palco, a estrutura, os profissionais e a disposição das pessoas da igreja se uniram ao trabalho dos voluntários do projeto. Esse apoio foi crucial para que, dez anos depois da primeira tentativa, o sonho pudesse finalmente ser registrado.
Crianças também fizeram parte dessa história
A noite teve ainda a participação especial do coral de crianças do Lar Davis Sara Mutton, acompanhado pela equipe da instituição.
A presença das crianças tornou-se especialmente significativa dentro de um projeto que nasceu justamente para falar com a infância por meio da música, da alegria, dos valores e da fé.
Assim, elas não estavam apenas assistindo a um espetáculo infantil.
Também passaram a fazer parte do próprio registro.
Além delas, pessoas se dispuseram a vestir e dar vida aos personagens, dançarinos participaram das apresentações e uma grande equipe trabalhou nos bastidores para construir toda a experiência que o público viveu naquela noite.
No palco, Luciano Collares esteve acompanhado por músicos que ajudaram a construir musicalmente o espetáculo.
Luciano Collares — voz e direção do projeto
João — guitarra principal
Arley — guitarra base
Sávio — violão
Yuri — contrabaixo
Charles — bateria
A direção da captação ao vivo ficou a cargo de Josh Kopperhein.
Os créditos completos permanecem em construção, incluindo profissionais de câmera, áudio, dança, personagens, produção, técnicos, coral e demais voluntários que participaram daquela noite.
A intenção é preservar esses nomes como parte da história do projeto, reconhecendo as muitas pessoas que contribuíram para tornar a gravação possível.
Embora todo o espetáculo tenha sido filmado, foi o álbum ao vivo que acabou sendo lançado comercialmente.
O projeto foi inicialmente distribuído pela Warner e, posteriormente, recebeu um novo lançamento por meio da Land, permitindo que aquela gravação realizada em Fortaleza continuasse disponível anos depois.
Por isso, eventuais datas mais recentes encontradas atualmente nas plataformas digitais correspondem ao histórico de distribuição e relançamento do álbum, e não à realização do espetáculo.
O acontecimento original pertence a uma data muito específica:
28 de setembro de 2019.
Olhando para trás, Tocar em Ti — Ao Vivo registra muito mais do que quatorze músicas.
Registra uma igreja que abriu suas portas.
Uma equipe que decidiu servir.
Músicos que subiram ao palco.
Profissionais que trabalharam voluntariamente.
Pessoas que deram vida aos personagens.
Crianças que cantaram.
Famílias que participaram.
E uma ideia que conseguiu sair do papel porque muitas pessoas decidiram construí-la juntas.
Mas registra também algo que havia começado dez anos antes.
Em 2009, um Theatro José de Alencar lotado viu aquele sonho acontecer pela primeira vez. Mais de 100 voluntários participaram daquela história. Um problema técnico levou embora o áudio, mas não conseguiu apagar aquilo que havia sido vivido.
Dez anos depois, o sonho voltou ao palco.
Não para reproduzir artificialmente em estúdio aquilo que havia sido perdido, mas para tentar novamente exatamente da maneira como havia sido sonhado:
ao vivo, diante das crianças e com as crianças.
Porque essas músicas nunca foram apenas músicas para serem ouvidas.
Elas nasceram de encontros, celebrações, brincadeiras, fé, famílias e crianças cantando juntas.
Foi um sábado em Fortaleza, mas tornou-se parte permanente da história de Luciano Collares e Conexão Alegria.
28 de setembro de 2019.
Fortaleza, Ceará.
Uma noite. Quatorze canções. Um espetáculo gravado do início ao fim. E muitas mãos tornando tudo possível.
“Não queríamos apenas gravar as músicas. Queríamos registrar o que acontecia quando essas músicas encontravam as crianças.”